segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Uma bebida...












... e um amor sem gelo, por favor!

Em caps lock


Pacientemente me recolho com um sorriso meia-lua. Sento, escrevo, leio, tomo um café, vou à aula (bem clichê). Passo os dias assim, passando... Porém não só existo, eu vivo! Vivo passando e passeando pelas ruas da minha vida imensa. Cansei de querer entender o inexplicável. Cansei também de só desejar, agora eu desejo e faço. Fiz com o que eu não fosse "mais uma", e sim um MAIS em caps lock. Mais linda. Mais feliz. Mais tudo! É como se um singular virasse plural. Integrei itens necessários à minha pessoa e o sorriso de lua voltado pra baixo, vira de cabeça pra cima - subitamente. A partir daí, não quis mais ver caras e bocas, mas sorrisos e corações. Abri exceções, tive sede de calor humano, me realizei na íntegra. Em vez de dividir, somei! Olhei o tempo... o mestre sábio. Guardo objetos que quando empoeirados, faço questão de limpar em pleno domingo azul. Relembro o que passou, sorrio calma. Não quis mais segurar alguém na coleira da minha alma amarrada, e busquei soltar todos os passarinhos da gaiola. Ah, pessoas - passarinhos... passarão. E aqui, finalizo observando o quebra-cabeça que não tem fim...

terça-feira, 27 de julho de 2010

Dependência

Peguei-me pensando sobre a forma como nos relacionamos e a dependência que criamos a partir desses relacionamentos. Vejo que é bem complicado se envolver, sem se apegar até porque não podemos guiar ou simplesmente direcionar nossos desejos e sentimentos em relação ao outro (ao contrário, namoraríamos com uma planta). Porém, percebo que no fim, a dependência (exacerbada) construída não se torna uma boa coisa, somada a outros fatores. "E eu me pergunto se viver não será essa espécie de ciranda de sentimentos que se sucedem e se sucedem e deixam sempre sede no fim." já dizia Caio Fernando. Em um namoro, buscamos jogar tudo quanto é de coisa em cima do outro e quando tudo se esvai, fica aquele vazio (principalmente quando é unilateral). Sinto que a dependência e o medo da solidão nos agarra mais firmemente, do que o sentimento propriamente dito. A convivência gera essa necessidade assídua, que nada é capaz de mudar quando se diz: "Chegou ao fim!". Que dói, dói... é ruim e amargo. Mas, passa! Isso mesmo, passa! Digo pra mim que um relacionamento deve ser visto como uma parte, e não o todo. Sua vida é sua, e não do outro. Que tome conta dela, você! As pessoas são incertas, são caixinhas de surpresas, além de estarem em eterna mutação... E que graça teria alguém que fosse o tempo todo do mesmo jeito? A mudança é mesmo a lei da vida e sem ela não seríamos capazes de experimentar os recomeços, voltas, idas e arremessos que a vida nos apresenta! Nascemos sós, morreremos sós. Nada de papinho que 'é pra sempre' ou 'não sei viver sem ele(a)', o que te resta é aceitar e pronto. Sem escândalos, de preferência. Outros aparecerão na tua vida e isso só implica em paciência. Uma dica vai: relacionamentos devem ser vividos intensamente enquanto durem! E quanto ao sofrimento, ele irá te encontrar em algum momento e nada de querer morrer de amor e se fechar para o mundo. Além do mais, o medo de estar só não quer dizer que você vai conseguir driblá-lo. Chegará sim o momento de você se deparar na solidão, porém, cabe a você enxergar essa solidão como uma peça essencial da construção de sua pessoa. Só com ela, você poderá se conhecer melhor e se amar principalmente! Quem sabe seja isso que esteja te faltando? E de que vale uma vida, sem o amor-prórprio? Ele é nossa base, nossa essência, nosso cru. Esse amor sim, é verdadeiro! Ele nunca vai te abandonar. Cultive-o portanto, continue e lembre-se: "Não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não para para que você o concerte." (Shakespeare)
Bom mesmo será o dia em que conseguirás olhar pra trás e dizer: "Valeu a pena... Estou feliz de novo!" Ah, e pode ter certeza que esse dia chega... só depende de você.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Ps: Eu te amo

Vejo sempre as pessoas dizerem: 'te amo' não é 'bom dia'. Mas por que não usar 'te amo' constantemente? Algum problema? Ao meu ver, não! Creio que quando se ama mesmo alguém, não há tempo ruim para expressar isso. Melhor do que dizer sempre uma palavra de raiva ou rancor. Um 'te amo' não dói nada de ouvir e pode ser a melhor coisa do mundo, quando o momento não favoreve (mas é óbvio que você não vai sair por aí vulgarizando o verbo 'amar' aos sete ventos). Confesso que gosto mesmo é de pessoas expressivas que dizem sem medo de errar, e não lamentam por um dia não terem dito por orgulho ou vergonha. Claro que isso é questão particular, afinal cada um tem seu jeito próprio de demonstrar sentimentos. Tem aqueles que gritam pra quiser ouvir, já outros nem falam nada. Mas não tem coisa melhor do que amar, ser amado e demostrar esse amor por palavras e atitudes - ressalto que atitudes valem mais, sem dúvidas. É delicioso falar com a língua do coração e ver sinceridade nisso. Um 'eu te amo' à toa não vale... ele tem que ser verdadeiro e intenso. Só assim, o amor que está sendo impedido de se apresentar, poderá ser mais visto, sentido.. ou melhor, ouvido.
Ame e diga, não emudeça!

terça-feira, 20 de julho de 2010

Feliz é aquele que tem

Sortudos aqueles que possuem amigos. Um bem raro e que não se compra, nem se vende em lugar algum. Não falo de amizades sazonais, que vem e vão, mas de amizades sólidas que vem e ficam. São essas que marcam pra toda uma vida. Sou racional, não idealizo amizades perfeitas, pois elas decididamente não existem (todo mundo erra, e isso não significa 'não ser amigo'). Acredito mesmo no companheirismo e cumplicidade, as bases para um bom relacionamento. Dividir, multiplicar, se acabar na balada, ou em casa. Extravazar, vacilar e contar com ele. É... é pra isso que serve um amigo. Penso à minha volta...Quantos amigos eu tenho? Ou já tive? E os colegas que pensei que fossem amigos? De verdade, são poucos pra mim... posso até contar nos dedos! Mas não tô preocupada com quantidade e nem em qualidade, mas em sinceridade. Isso não é qualidade, mas obrigação de todo aquele que se diz 'amigo'. Acredito em amigos que tomam rumos diferentes na vida, mas nem por isso viram as costas e te tratam com uma peça do passado. Ele te carrega no coração e na mente, por onde quer que vá. Ele tem defeitos insuportáveis, que te causam raiva, mas que nem por isso deixa você sem explicação. Ele também te liga nas horas mais inoportunas, conta uma história e fica por dentro das suas. Ele está você em momentos felizes e te apamparando nos tristes. Na saúde, na doença, no momento e por toda a vida. Gosta de você sem cobrança, apenas gosta. E gosta muito! Pra mim, isso é... amigo.

Perder

Se perdem gestos,
cartas de amor, malas, parentes.
Se perdem vozes,
cidades, países, amigos.
Romances perdidos,
objetos perdidos, histórias se perdem.
Se perde o que fomos e o que queríamos ser.
Se perde o momento.
Mas não existe perda,
existe movimento.

(Poema do Sombra - Filme: O Signo da cidade)
 
Ontem lamentei a perda, e tentei observá-la de um lugar distante, não deu. É muito dolorosa, apesar de ser um processo natural da vida. Ou você perde, ou alguém te perde, ou alguém perde, ou você perderá. É duro aceitar, mas é o movimento.
E só restará lembranças...


Foto: O Pequeno Príncipe
 
 

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Palavriando

Palavras, articuladas, bem formadas (ou não) ferem, alegram, espantam e encatam. Elas tem uma força incrível e está na lista das coisas que não voltam mais! É isso, não voltam mais. Seus sons já me doeram um bastante, chorei só por causa delas. Interessante mesmo, é quando se mistura palavras&atos - combinação que pode dar certo, ou não. As palavras precedem os atos e introduzem uma história, narram fatos, expressam sentimentos, disfarçam, mentem, consolam, imploram, refutam ou convencem! A força de expulsão do que está dentro de nós, se encontra nas palavras. Elas nos armam e desarmam. Podemos nos perder, ou ganhar muito só com elas. Ah, se eu pudesse controlá-las as vezes... Mas quem nunca deu aquela fugida na hora de dizer algo? Sim, mas elas não voltam. Consertá-las muitas vezes se torna impossível, pois o tempo e memória não a excluem, apenas as ocultam. O coração e boca se unem para organizá-las e embrulhá-las num interior escuro, onde ninguem mais possa as encontrar, senão os prórios donos. Elas ferem mesmo, acredite! Por palavrinhas ou palavrões, te causam algo. Além de poderem comprometer por toda uma vida (elas também condenam). Agora, olhando pelo lado bom: ler, recitar, escrever envolvem palavras que te fazem viajar por lugares desconhecidos. Tornam-se surpresas e chaves para um outro mundo... o da imaginação! E assim, se fazem como eu faço.
Ah, mas vale relembrar... elas não voltam mais!

"Uma palavra bem pronunciada pode economizar não só cem palavras, mas também cem pensamentos." (Henri Poincaré)